quinta-feira, 18 de junho de 2009

Papiers à la Mode


A meio caminho entre trajes, esculturas, objetos e pinturas, a exposição "Papiers à la Mode", de Isabelle de Borchgrave e Rita Brown, apresentada no Museu de Arte Brasileira da FAAP entre outubro e novembro de 2008, propôs questões que ultrapassam uma simples seleção de vestes que contam trezentos anos de história da indumentária.

Mais do que uma coleção de vestidos em papel, a exposição trouxe - "papéis à moda de Isabelle". Ao restringir o suporte de seu trabalho a apenas dois tipos de papel e com eles conseguir os efeitos desejados, comprovou seu conhecimento do material utilizado. Ao selecionar os procedimentos adequados para obter texturas e padrões de tecidos, realizou pinturas abrangendo uma ampla gama de alusões, da seda à lã, da cambraia à sarja. A parceria com Rita Brown, especialista canadense em figurino para ópera, lhe facultou acesso ao repertório da modelagem dos trajes de época, que juntamente com o efeito de trompe l'oeil da pintura conferiram à Papiers à la Mode o ponto médio entre o palco e o salão, a veste e a obra, o mundo da realidade e o da fantasia.

Em comemoração ao ano da França no Brasil, trago esta exposição que foi uma das minhas favoritas até hoje relacionadas à História da Moda.


Artistas sempre contribuíram para a Moda: na criação de estampas, de vitrines de lojas, na imagem pela mídia impressa ou virtual, e mesmo nas criações adequadas às bandeiras das vanguardas. No caso de Isabelle de Borchgrave, seu estandarte é a beleza, e é a partir dela que Papiers à la Mode introduz a um trompe l'oeil contemporâneo que explicita o passado e o presente colocados em conexão por meio dos nossos sentidos.


Imagem: Vestido de Elizabeth I, c. 1599.

80 Anos da Pirelli no Brasil


Todos devem conhecer os calendários da Pirelli com fotógrafos renomados e ícones do cenário fashion em belíssimas e exóticas paisagens. O calendário Pirelli surgiu em 1963 pelas mãos de Robert Freeman, o fotógrafo oficial dos Beatles. Nascido na época em que o rock estava em ascensão, ao mesmo tempo em que os movimentos sociais faziam pressão contra a Guerra do Vietnã, as primeiras fotos eram menos sensuais, com seus limites enquadrados à censura dos anos 60. Com o tempo, tornou-se elemento cult e como é distribuído apenas para pessoas selecionadas, transformou-se em peça rara.


A Mostra do MASP em comemoração aos 80 anos da empresa Pirelli no Brasil, reuniu 80 imagens e 24 nomes de fotógrafos brasileiros ou estrangeiros atuantes no país e que possuem representação significativa para a fotografia brasileira. Contou também com uma área especial dedicada ao fotógrafo André François, com 20 obras a respeito dos seus documentários sobre saúde.


Fotógrafos selecionados :


Ricardo Labastier -Brasília DF

Anderson Schneider -Brasília DF

Miguel Aún - Belo Horizonte MG

José Faria - Belo Horizonte MG

Rui Cesar Dos Santos - Nova Lima MG

Rodrigo Zeferino - Ipatinga MG

Barbara Wagner - Recife PE

José Frota - Natal RN

Voltaire Fraga Salvador - (falecido) SP

Zig Koch - Curitiba PR

Helmuth Wagner - Curitiba PR

Rogerio Ghomes - Londrina PR

Nani Gois - Piraquara PR

Zé Paiva - Florianópolis SC

Milan Alram - Rio de Janeiro RJ

Ana Vitória Mussi - Rio de Janeiro RJ

Fausto Chermont - São Paulo SP

Jacques Dequeker - São Paulo SP

André François - São Paulo SP

Felipe Hellmeister - São Paulo SP

Gui Paganini - São Paulo SP

André Paoliello - São Paulo SP

Vania Toledo - São Paulo SP

Bob Wolfenson - São Paulo SP


• Das imagens expostas, esta de Jacques Dequeker foi uma das que me chamou mais a atenção pelo efeito visual e o ar sombrio que ela desperta.

Vik Muniz no MASP


...Olhe à sua volta: há um mundo de coisas para as quais você não dá a menor importância. Poeira ? Você já considerou a poeira como algo possível de ter outro significado ?
E o lixo, pode ser algo além de ser, simplesmente lixo?
Pois bem, um artista brasileiro - seu nome é Vik Muniz - foi capaz de olhar essas coisas cotidianas e, com elas, recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo. Com mais de 120 trabalhos que abarcam do início de sua carreira, do final dos anos 1980 até os dias de hoje, esta foi a maior exposição já dedicada ao artista. Depois de passar pelos EUA, Canadá e México, chegou ao Brasil no momento em que Vik atingiu o ápice de seu reconhecimento, tornando-se um dos brasileiros mais consagrados no cenário da arte internacional.
Para Vik, o artista faz a metade do trabalho; a outra parte é feita pelo espectador, que exerce um papel ativo.


Imagens: "Toy Soldier" (Soldado feito de brinquedos); "Elizabeth Taylor" (Retrato feito com diamantes) e "Pollock" (Retrato feito com chocolate).