terça-feira, 14 de julho de 2009

Fugindo da Cidade ...


... Tem dias que a gente se sente melancólico, querendo estar presente em algum outro lugar. Pensando, quem sabe, que as coisas poderiam ser diferentes ...
Isto me fez lembrar o poeta grego Kavafis e percebi que não conseguimos nos afastar de nossos fantasmas e pesadelos.


A Cidade

Dizes: "Irei a outra cidade, irei a outro mar.
Outra cidade será encontrada, melhor que essa.
Todo esforço meu é condenado pelo destino;
e meu coração está - como um cadáver - sepultado.
Até quando nesse marasmo permanecerá meu espírito.
Para onde quer que volte meus olhos,
para onde posso mirar
Vejo aqui as obscuras ruínas de minha vida,
Onde passei tantos anos, a arruinei e desperdicei."


Novas terras você não irá encontrar,
você não encontrará outros mares.
A cidade irá seguir você.
Vagarás pelas mesmas ruas.
E nos mesmos bairros te farás idoso,
nessas mesmas casas envelhecerá.
Sempre você chegará nessa cidade.
Para outra cidade - não espere -
não há barco, não há caminho.
Assim como você arruinou sua vida aqui
nesse pequeno lugar,
no mundo inteiro está destruída.


Tô precisando me ausentar do computador por alguns dias...

13 de Julho - Dia Internacional do Rock


14/07/09

Em homenagem ao Dia Internacional do Rock, uma dica de leitura - "Segredos e Lendas do ROCK" de Sérgio Pereira Couto. Um livro descolado e cheio de boas informações.
Segundo o autor, estranhas coincidências aconteceram:

"Entre os grandes nomes do rock que predominaram no final dos anos 1960, três destacaram-se pela similaridade de suas carreiras e pelo fato de que morreram com a mesma idade. O guitarrista Jimi Hendrix, a cantora de blues Janis Joplin e o poeta cantor Jim Morrison. Todos tiveram carreiras meteóricas, gravaram um número limitado de discos, foram adorados ao extremo e tiveram mortes súbitas aos 27 anos. Apenas esses elementos já seriam suficientes para aparecer uma série de histórias que fariam com que os conspirólogos encontrassem um campo amplo para a propagação de suas teorias, como a de que os três teriam sido assassinados pela CIA, já que esta temia o poder que tinham sobre a audiência jovem do país no período em que o Verão do Amor, os hippies e a Guerra do Vietnã dominavam os noticiários..."

Não dá pra colocar o livro inteiro, quem quiser saber mais, procure-o nas livrarias mais próximas de sua casa... rs

O POVO CONTRA LARRY FLYNT


13/07/09


... Mais um filme pra coleção - "O Povo Contra Larry Flynt" !! A direção é de Milos Forman e foi realizado em 1996.
Larry Flynt, um empreendedor da indústria do sexo, no final dos anos 70 toma conta de um pequeno negócio de clubes de strip-tease em Ohio, iniciando um verdadeiro império com a publicação da revista "Hustler", com a sua linguagem crua, exibindo mulheres nuas em posições imaginadas apenas em revistas de sexo explícito, desafiando os limites da tolerância americana. Enquanto Hugh Hefner trazia na revista "Playboy" mulheres nuas mais "recatadas", Flynt as exibia com toda ousadia possível.
Suas atitudes provocativas levantaram a ira dos conservadores nos campos religioso e político. Ficando famosa a sua briga nos tribunais quando enfrentou o reverendo Jerry Falwell até as últimas conseqüências na Suprema Corte, onde foi invocada a primeira emenda constitucional americana:

"O congresso não deve fazer leis a respeito de estabelecer uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações por ofensas."

Flynt venceu o duelo pois, segundo estes princípios, não se pode diminuir a liberdade de expressão e ele continuou afrontando os puritanos.
O filme é composto de um casal de personagens trágicos - Larry Flynt (Woody Harrelson) e sua amante (Courtney Love). Ele fica paraplégico ao ser baleado por um fanático e sua mulher, num processo auto-destrutivo, vem a falecer de overdose.

Um filme que conta a história da América feita de amor e perda, redenção e desespero, loucura e sanidade.

PRIVILEGE - A MANIPULAÇÃO DE UM ÍDOLO


12/07/09

"Privilege" é um dos filmes mais revolucionários já feitos na Inglaterra.
Em 1967, o diretor Peter Watkins produziu este clássico que trata da idolatria ao astro pop semelhante a uma postura messiânica, onde o ídolo causa uma espécie de transe na platéia.
Paul Jones interpreta um cantor pop carismático que, como numa imagem bíblica transforma-se quase num "Messias", alucinando os seus seguidores, ao ponto de levá-los à loucura. O filme tem aspectos políticos, e também, uma certa analogia com o culto da adoração, como numa igreja onde o astro seria um "Cristo Pop".
Uma crítica social ao fanatismo e à manipulação feita pela comunicação moderna.

Cena do filme:

Diane Di Prima - Uma Garota na Geração Beat


11/07/09


E quem pensa que a Geração Beat era um "Clube do Bolinha", está enganado... havia algumas escritoras, mas poucas fizeram sucesso como Diane Di Prima.
Diane estudou Física na Universidade Swarthmore e depois foi morar no bairro boêmio Greenwich Village. Foi ali que passou a envolver-se com o Movimento Beat e publicou seu primeiro livro – "This Kind Of Bird Flies Backward".
Seus trabalhos refletem as lutas políticas e sociais dos protestos da juventude da década de 1960 e posteriores. Seus últimos textos falam de filosofia, arquétipos femininos e alquimia.

Da famosa série "Pesadelos", extrai o seguinte poema:

Pesadelo 10

"Eu vi com meus olhos,
eu li nos seus nojentos jornais:
"Estação aberta para pessoas de mais de 21 anos
de calças blue jeans
ou sapatos de tênis,
homens com batom,
mulheres de cabelos curtos,
atores desempregados,
poetas de todas as condições.
Gratificação por pessoa 10 dólares.
Viciados em drogas
e músicos de jazz
cinco dólares extra."

"Você pode dizer que estou louca
mas isto não quer dizer que esteja maluca.
Pergunte a qualquer chofer de táxi."

William Burroughs - O Dândi da Geração Beat


10/07/09


William S. Burroughs, escritor beat, de origem aristocrática, descendente direto da família que criou as famosas máquinas calculadoras - Burroughs. Ficou conhecido pela sua dualidade, pois tendo graduado-se em Harvard, optou pela marginalidade e o submundo das drogas.
Sua obra é permeada pelos mais variados temas: burocracia estatal, drogas e outros vícios, homossexualidade, guerra, tirania psiquiátrica, etc.
Seus livros mais conhecidos são: "Drogado" (Junky) e "Almoço Nu" (The Naked Lunch).

Alguns trechos do livro "Junky":

"... No México, porém, sabia que mesmo os melhores ladrões passavam a maior parte da vida na gaiola. Os ladrões notórios podem ser jogados na colônia penal de Três Marias sem julgamento. Não existe o ladrão de classe média, de aparência burocrática e bom nível de vida, como nos Estados Unidos. Só dá grandes golpistas, com ligações políticas, ou vagabundos que apodrecem nas prisões. Os grandes golpistas são, em geral, chefes de polícia ou autoridades bem posicionadas."

" Advogado criminalista é uma das poucas profissões em que o cliente compra a boa estrela do outro. A boa sorte da maioria das pessoas é intransferível. Porém, um bom advogado criminalista pode vender toda a sua sorte pro cliente - e, quanto mais sorte ele vende, mais lhe sobra pra vender."

Woodstock - 40 Anos


08/07/09

Comprei o filme "Woodstock" e estou me deliciando com as músicas contagiantes e o clima de paz e amor.
Em agosto de 1969 mais de 500 mil pessoas se reuniram em uma pequena fazenda, nos arredores de Nova York, em três dias de muito rock n' roll para celebrar o maior festival de música do planeta !
No ano seguinte, o mundo pôde assistir ao primeiro e único filme sobre esse encontro mágico, grande vencedor do Oscar de Melhor Documentário da época.
Este ano foi marcado também pelo brutal assassinato de dois grandes líderes americanos: Martin Luther King e Robert Kennedy. E os EUA estavam em guerra com o Vietnã. Os jovens daquela época queriam apenas fazer amor e não guerra.
Neste festival há a participação de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Joan Baez, Santana e The Who, entre muitos outros...


Se puderem, assistam !

Bukowski - O Velho Safado


07/07/09

Vadio, alcoólatra, mulherengo, imprevisível, Charles Bukowski transformou todos os seus pecados, angústias e trapaças em matéria-prima de clássicos como "Cartas na Rua", "Factotum" e "Mulheres". Apesar de ter nascido na Alemanha, cresceu e viveu em Los Angeles. Começou a escrever com vinte e poucos anos, publicou seus primeiros poemas aos trinta e cinco anos e tem mais de trinta livros de poesia e prosa publicados. Foi funcionário dos Correios em L.A. durante 14 anos, demitiu-se antes de enlouquecer. É considerado por muitos como o "discípulo de Henry Miller".

Um trecho de "Mulheres":

"... Se eu tivesse nascido mulher seria com certeza uma prostituta. Mas, como nasci homem, batalhava as mulheres, sem trégua; quanto mais fuleiras melhor. E, no entanto, as mulheres, as boas, me enchiam de medo, talvez por quererem a minha alma; e o que sobrara da minha eu queria manter guardado. Em princípio, eu batalhava mulheres fuleiras e prostitutas, porque eram mais intensas e a barra mais pesada, e elas não faziam exigências pessoais. Nada se perdia quando elas partiam. Porém, ao mesmo tempo, eu tinha uma inclinação por mulheres decentes, as boas mulheres, a despeito do preço elevado que se tinha de pagar. De um jeito ou do outro, eu estava perdido. Um cara forte desistiria de ambas. Eu não era um cara forte. Então, continuava o combate com as mulheres, com a idéia de mulher."

Gregory Corso - O Poeta Incendiário


06/07/09

Gregory Corso, poeta beat, nasceu em Greenwich Village - Nova York. Junto com Kerouac, Ginsberg e Burroughs, formou o eixo central do Movimento Beat. Filho de uma família de origem pobre, passou a infância em orfanatos e reformatórios. Mais tarde, foi adotado por várias famílias alternadamente.
Em 1958, Kerouac escreveu: "Considero Gregory Corso e Allen Ginsberg os dois melhores poetas da América..."

"De Visita Ao Lugar De Nascimento"

De pé na luz fraca da rua escura
Olho para minha janela no alto, foi lá que nasci.
As luzes estão acesas;outras pessoas se movimentam ali
Vestido com capa de chuva, cigarro na boca
Chapéu caído nos olhos, a mão na arma,
Atravesso a rua e entro no prédio
As latas de lixo não pararam de cheirar mal.
Subo o primeiro lance de escadas:
Lóbulos sujos me ameaçam com sua faca...
Eu lhe despejo uma torrente de relógios esquecidos.

Neal Cassady - O Herói de "On The Road"


05/07/09

Neal Cassady é o herói Dean Moriarty, de Kerouac em "On The Road". Sem dúvida, o beat mais genuíno de todos os tempos.
Escreveu "O Primeiro Terço", onde narra as desventuras de um garoto desamparado, criado entre vagabundos, às voltas com reformatórios e pequenos furtos. Quanto ao resto de sua vida, morreu de overdose e apenas este manuscrito foi encontrado em gavetas esquecidas em 1969 e depois publicado pela "City Lights" em 1971.

Trecho de "O Primeiro Terço":

"Durante certo tempo ocupei uma posição única: entre as centenas de criaturas solitárias que assombravam a parte baixa do centro de Denver, não havia nenhuma tão jovem quanto eu. Dentre aqueles homens sombrios que haviam se dedicado, cada um por sua própria e boa razão, à tarefa de terminar seus dias como bêbados sem vintém, eu sozinho, ao compartilhar de seus modos de vida, lhes apresentava uma réplica da infância para a qual eles podiam, diariamente, voltar um olhar desamparado e, ao ser assim transplantado para o meio deles, tornei-me o filho desnaturado de algumas dezenas de homens derrotados."

Jack Kerouac - On The Road


04/07/09


Jack Kerouac, principal escritor da geração beat, trabalhou em tudo: ajudante de cozinha, jornalista esportivo, apanhador de algodão, vigia de incêndios florestais, limpador de convés, ajudante de mudanças, maquinista nas linhas férreas, aprendiz de laminador, etc. Aos 17 anos resolveu ser escritor e no ano seguinte decidiu ser um viajante solitário ao ler a vida de Jack London. Escrevia tanto em casa, quanto na estrada, como vagabundo, ferroviário, exilado mexicano ou viajante pela Europa. Descobriu a prosa espontânea e escreveu "On the Road" em três semanas.

Não se dizia beat, mas um estranho e solitário católico, louco e místico.

Trecho de "On The Road":
"... repetindo esse refrão e misturando outras frases no meio, falando sobre o quão longe ele estivera, e como gostaria de voltar para ela, mas a tinha perdido para sempre. Eu disse: - Gene, que canção maravilhosa.
- É a mais linda que conheço, ele respondeu com um sorriso.
- Espero que você chegue onde pretende e seja feliz lá.
- De um jeito ou de outro, sempre acabo me dando bem."

Galeria do Rock


03/07/09


Um dia dedicado ao rock - comprinhas exóticas na Galeria com ótimas companhias ao som de Rockabilly e fervendo a São João ! rs

Trilha-Sonora: Elvis ! - The King Of Rock

E por falar em "reis", fica a dica dos "Elvis" de alguns países:

Alemanha: Udo Jürgens
Argentina: Palito Ortega
Brasil: Roberto Carlos
Espanha: Raphael
França: Johnny Hallyday
Inglaterra: Cliff Richard
Itália: Bobby Solo
Japão: Kyu Sakamoto

Gary Snyder - O Ativista Ambiental


02/07/09

Gary Snyder, poeta beat, ficou conhecido ao ser retratado como o personagem Japhy Ryder no livro "Dharma Bums" (Vagabundos Iluminados) de Jack Kerouac. Foi vencedor do prêmio Pulitzer em poesia.
Um trecho de uma entrevista feita com ele pelo Estadão em 31 de Maio de 2009:

Você foi membro do Conselho de Artes da Califórnia. Qual é sua opinião sobre políticas públicas governamentais para a literatura e as artes em geral?

Não tenho dificuldade nenhuma em ver as artes enquanto negócio, em ver um artista que pode ocupar seu lugar no mercado de arte e ver quão bem ele se sai. Isso se dá especialmente no caso do romance. Mas há outras artes que, por várias razões, não podem competir no mercado, e outras que não têm absolutamente entrada no mercado, como a poesia. É simpático apoiar a poesia com fundos mas você não precisa do governo para isso, para fazer uma pequena publicação. A poesia é sempre uma arte marginal, é uma arte de comunidade. Não é uma carreira: é uma vocação. Você é levado a ela, é um dom. Você não deve se preocupar se está fazendo dinheiro ou não com poesia. O que você precisa fazer é trabalhar com a sua comunidade. É uma coisa cultural. As culturas tradicionais não precisam de dinheiro do governo, precisam é de apoio da comunidade, isso sim. Sim, as artes precisam de apoio da comunidade, mas não quero falar sobre dinheiro governamental. Pra dizer a verdade, o governo norte-americano ferrou com a arte neste país.

Um de seus poemas:

Apenas uma vez

quase no Equador
quase no equinócio
exatamente à meia-noite
a partir de um navio

lua cheia

no centro do céu.

Gary Snyder
Sappa Creek
Março de 1958

Perdidos na Noite - Em Busca de Um Sonho


01/07/09


Começarei o mês citando mais um filme da minha coleção underground. "Perdidos na Noite" (Midnight Cowboy - 1969) retrata a história de um simplório cowboy texano (interpretado por Jon Voight) que vai para Nova York tentar a sorte se prostituindo com mulheres da alta sociedade. Chegando à cidade, ele conhece Ratso Rizzo (papel de Dustin Hoffman), um marginal que lhe mostra o lado real das ruas nova-iorquinas. Nasce assim uma intensa amizade entre os dois, onde o humor e a tristeza se misturam com muita sensibilidade.
A direção segura e realista de John Schlesinger dá ao filme uma atmosfera apaixonada que revela a verdadeira face da metrópole. Pelo seu perfeccionismo e capacidade de envolver o espectador até o último segundo do filme, Schlesinger recebeu o "Oscar de Melhor Diretor". O filme também ganhou o "Oscar" nas categorias: Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.
O sucesso de Midnight Cowboy baseia-se na estranha relação que une dois jovens desesperados em NY, num ambiente de sordidez povoado por homossexuais, prostitutas e vigaristas. Juntos, os dois enfrentam a fossa nas ruas de Manhattan, cada um apoiando-se nas fraquezas do outro. E ao fim de tantas desventuras, o cowboy arrasta o amigo para um ônibus com destino a Miami, mas o sol não nasce para todos e Joe (cowboy) aprendeu esta lição enquanto tentavam mudar seus destinos...
A trilha-sonora é encantadora, destaque para a música-tema "Everybody’s Talking", na voz de Harry Nilsson.

Alan Watts - O Guru da Contracultura


30/06/09


Alan Watts tornou-se famoso como uma espécie de guru da contracultura dos anos 60.
Através de seus livros e conferências em quase todo o mundo, ele foi um dos pioneiros na introdução e divulgação da sabedoria oriental junto ao Ocidente.
Desempenhou um papel crucial nos movimentos alternativos que levaram à formação do conjunto de saberes que hoje se abrigam sob a denominação de "Nova Era".
Alan Watts é considerado, para além de qualquer classificação filosófica ou religiosa, um pensador essencial à compreensão do alcance que o zen-budismo e a filosofia chinesa e indiana podem e devem ter na existência de cada um.

Em seu livro "A Sabedoria da Insegurança" há um trecho que diz:

"Nós somos como moscas presas no mel. Como a vida é doce, não queremos abrir mão dela, e quanto mais nos deixamos envolver por ela, mais presos, limitados e frustrados nos sentimos. Nós a amamos e odiamos ao mesmo tempo. Apaixonamo-nos por pessoas e bens apenas para sermos torturados pela ansiedade que nos causam. Esse conflito não se verifica somente entre nós e o universo que nos envolve e sim entre nós mesmos, pois a natureza intratável está tanto à nossa volta como em nosso próprio íntimo. Essa "vida" exasperante, que é adorável e perecível, agradável e dolorosa, uma benção e uma maldição, é também a vida de nossos próprios corpos."