quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Toda Mulher é meio Leila Diniz !


Já dizia Rita Lee em "Todas as Mulheres do Mundo": "Toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz, toda mulher se faz de coitada, toda mulher... é meio Leila Diniz !"
E tive o prazer de ler o texto do psicanalista Eduardo Mascarenhas sobre esta musa, que tanto admiro, resolvi compartilhá-lo:
"Até uns anos atrás, praticamente não existiam nem a sexualidade nem o amor. Pelo menos tal como os conhecemos hoje em dia. Havia sexo, sim, mas sexo reprodutor, sexo sem gozo nem amor. De um lado, homens precoces. De outro, mulheres assexuadas e, por eles, reprimidas.
Mocinhas, elas ainda eram sonhadoras e românticas. Depois, nem isso. Perdiam o viço e ficavam generalizadamente flácidas. Ao se tornarem esposas, amatronavam-se e não sonhavam mais.
Os homens tinham na vida duas coisas a fazer: ganhar dinheiro e tornar suas filhas e esposas seres sem sexo. Para tanto valia tudo.
As mulheres que se conformassem com esse destino recebiam o honroso título de moças de família ou mulheres de bem. As que se rebelassem deveriam ser difamadas. Eram chamadas ou de prostitutas ou de fêmeas possuídas por um obsceno furor: o furor uterino.
Os machões perpetravam sexo, assim, com três tipos de mulheres: a esposa frígida em casa; a ninfomaníaca (ou sua versão mirim - a galinha) nas garçonnières; e a meretriz nos rendez-vous.
Como conseqüência, existiam três tipos de sexo: o sexo família, o sexo profissional, o sexo adulterino.
Foi nesse sufocante panorama que emergiu Leila Diniz. Sozinha, emocionante, linda.
As esquerdas eram caretas. Muita cabeça e pouco corpo. Revolucionárias na política, eram reacionárias nos costumes.
E o movimento hippie apenas ensaiava os seus primeiros passos e decididamente não chegara ao Brasil. O que já tinha se firmado por aqui eram os roqueiros dos anos 50 - a juventude transviada. Muita birita, muita corrida de carro, muito lampião quebrado, muito rock com chiclete mas, na hora de dormir, um beijinho na boca e cada qual para sua casa.
Leila, assim, é uma heroína solitária, uma precursora dos anos 70. Com dignidade, ama e faz amor. Engravida-se fora do casamento e expõe a beleza de seu ventre grávido pela primeira vez em nossas praias. Com graça e humor, rompe o preconceito de que mulher não diz palavrão.
A sociedade se assusta. A alegria de Leila deveria ser penalizada. Leila é agredida pelos conservadores. É julgada publicamente pela TV. E condenada. "O Pasquim" oferece suas páginas para a defesa da atriz. Sua entrevista, explode e ela se torna, de musa de Ipanema, um mito nacional.
E Leila está aí. Viva em cada mulher que diz não. Viva na alegria das mulheres que buscam a verdade."


"Só me arrependo das coisas que eu não fiz. Das coisas que fiz, não me arrependo nada." - Leila Diniz
(frase que se tornou antológica em sua entrevista para "O Pasquim").