
Zuzu Angel (1923-1976). Zuleika Angel Jones, estilista de moda feminina e ativista política, nasceu em Minas Gerais, Brasil.
Uma das estilistas brasileiras mais interessantes das décadas de 1960 e 1970.
Zuzu começou como costureira no fim da década de 1940. Já na década de 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro, passou a produzir peças e montou uma butique em Ipanema.
Suas criações eram inspiradas em temas regionalistas e folclóricos, com estampas de pássaros, borboletas e papagaios. Misturava renda, seda, fitas e chitas, com pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas.
Com uma personalidade forte e um estilo característico em suas criações, ela ficava em um meio-termo entre a alta-costura e o prêt-à-porter.
Ela dizia que sua moda era para mulheres que em nada lembravam as magérrimas manequins apresentadas nos ateliês tradicionais.
Dentre suas modelos mais famosas, estava "Elke Maravilha", que por denunciar o regime militar, acabou presa na época.
Em 1970, Zuzu Angel ficou conhecida internacionalmente com a venda de suas criações no Magazine Bergdorf Goodman, de Nova York. Entre suas clientes, destacaram-se: Joan Crawford, Liza Minelli, Kim Novak, Jean Shrimpton e Veruschka.
A partir de 1971, com a prisão, tortura e morte de seu filho Stuart Edgard Angel pelo regime militar, passou a dedicar sua vida a denunciar a ditadura no Brasil através de suas criações. Chegou a fazer desfiles-denúncia em Nova York, onde apareciam tanques, pássaros aprisionados, anjos mutilados, caveiras e manchas de sangue bordadas sobre vestidos em tons verde e amarelo - que impressionaram a opinião pública internacional.
Em abril de 1976, um atentado terrorista camuflado de "desastre de automóvel" assassinou a estilista que tanto incomodava o regime instalado no país. Em sua homenagem, Chico Buarque compôs a música "Angélica".
Em 1987 foi lançado o livro "Eu, Zuzu Angel, Procuro Meu Filho" - A Verdadeira História de um Assassinato Político, autora Virginia Valli e em 2006 sua vida foi contada no filme "Zuzu Angel", dirigido por Sérgio Rezende, tendo Patrícia Pillar no papel de Zuzu. Ela teve três filhos: Stuart, Ana e Hildegard Angel, que trabalhou como atriz no cinema e na televisão na década de 70. Dedicou-se ao colunismo social no jornal "O Globo" e desde 2003, no "Jornal do Brasil".
Chico Buarque assim descreveu a dor e a coragem de Zuzu nesta bela canção:
Angélica
Quem é essa mulher /Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho /Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher / Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento / Que fez o meu filho suspirar
Quem é essa mulher / Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo / E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher / Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino / Que ele já não pode mais cantar
Quem é essa mulher / Que canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho / Que mora na escuridão do mar