quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mario Quintana - O Poeta das Coisas Simples




Quinta-feira teatral, fui até o CCBB conferir a peça "Mario Quintana - O Poeta das Coisas Simples", uma belíssima homenagem a um dos mais importantes poetas modernistas de nosso país.

Minha vida está nos meus poemas,
Meus poemas são eu mesmo,
Nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.

A apresentação é um mix de teatro, literatura e música, contando com a participação de : Monique Lafond, Selma Lopes, Sergio Miguel Braga e Tamara Taxman. Fáthima Rodrigues na Direção Musical, fazendo a trilha-sonora com um acordeon. E Rubens Lima Jr. na direção.

Através dos seus poemas vamos nos familiarizando com sua vida e obra e nos deparamos com um ser humano, antes de tudo um transgressor - alguém que se recusava por exemplo, a ter sua própria casa, vivendo sempre em hotéis, solto no mundo, amando suas musas inatingíveis e vivendo intensamente.

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer."
(Mario Quintana)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Visitando "Nova Gokula" ...


Passei alguns dias descobrindo lugares, pessoas, outras realidades ...
Recebi o convite para conhecer a comunidade Hare Krishna da fazenda “Nova Gokula” – onde encontra-se o maior templo hare krishna da América Latina.
Mas que lugar encantador ! Ali, tem-se contato com a natureza, animais, a cultura indiana e a filosofia védica. O Movimento é baseado nos ensinamentos do guru Sri Krishna Chaitanya Mahaprabhu
e foi trazido para o Ocidente em 1965 por A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Em meados da década de 1970, chegou ao Brasil, liderado por Hrdayanada Swami.
Quem contribuiu para a divulgação do Movimento Hare Krishna no Ocidente foi o beatle George Harrison, que após uma viagem à Índia em 1966, familiarizou-se com a religião hindu, conheceu vários lugares sagrados, líderes religiosos, aprendeu a tocar cítara e produziu em 1969 o single “Hare Krishna Mantra", interpretado por devotos do templo londrino de Radha-Krishna.
Para tirar o stress da vida agitada das metrópoles, uma boa dica é passar em Nova Gokula e desenvolver meditações transcendentais ao som de belíssimos mantras.

terça-feira, 21 de julho de 2009

CADA UM VIVE COMO QUER




... Da minha coleção de filmes, um dos que mais me marcaram foi "Cada Um Vive Como Quer" (Five Easy Pieces), com meu ator favorito - Jack Nicholson, em um de seus melhores papéis.

O filme descreve o jovem trabalhador Robert Eroica Dupea em um campo de petróleo, inadaptado tanto como operário quanto na sua família. O seu desespero diante dos compromissos, sua rebeldia frente às raízes familiares, seu amor pelo nomadismo e a instabilidade.

A cena em que o personagem leva o pai doente numa cadeira de rodas para um passeio e inicia um monólogo é a mais comovente do filme:

"Robert : - Está com frio ? Eu não sei se você estaria interessado em ouvir qualquer coisa sobre minha vida. A maior parte dela não acrescenta muito a um estilo de vida que você aprovaria. Eu viajo muito... não porque esteja procurando algo, mas porque fujo de coisas que dão errado. Sei que seria bom se eu ficasse ... entende o que eu digo ? Estou tentando imaginar sua parte nesta conversa, mas sinto que se pudéssemos conversar não haveria diálogo. Bem do jeito que era quando fui embora. Você está bem ? Eu não sei o que dizer. Minha irmã sugeriu que nós tentássemos ... Eu não sei. Acho que ela sente ... ela sente que temos que nos entender. Ela nega o fato de que nunca ficamos a vontade um com o outro. O melhor que posso fazer é me desculpar. Nós dois sabemos que eu nunca fui bom nisso. Sinto muito que isso não tenha dado certo."

Henry Miller em seu livro "Deslizando para os Everglades e Outros Ensaios", traz uma crônica – "Vendo Jack Nicholson pela Primeira Vez" e assim descreve este momento:

"Há em Five Easy Pieces uma cena e um personagem que eu deixei de mencionar. Acredito que para a maioria das pessoas este vai ser o grande momento de Jack. A cena em questão é a de quando ele dá uma volta perto da casa de seu pai para tomar ar e casualmente tirar um peso do peito. Suponho que com isso se pretendia mostrar que Jack não era completamente desprovido de sentimento. Todavia, eu sempre o considerei um filho da puta insensível, mas um filho da puta adorável. É uma grande diferença. A verdade é que ele é tão adorável porque se comporta da maneira como todos nós gostaríamos de comportar-nos, representa nossas fantasias. A nós faltam a coragem e o encanto para imitá-lo."


Cena do filme:

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fugindo da Cidade ...


... Tem dias que a gente se sente melancólico, querendo estar presente em algum outro lugar. Pensando, quem sabe, que as coisas poderiam ser diferentes ...
Isto me fez lembrar o poeta grego Kavafis e percebi que não conseguimos nos afastar de nossos fantasmas e pesadelos.


A Cidade

Dizes: "Irei a outra cidade, irei a outro mar.
Outra cidade será encontrada, melhor que essa.
Todo esforço meu é condenado pelo destino;
e meu coração está - como um cadáver - sepultado.
Até quando nesse marasmo permanecerá meu espírito.
Para onde quer que volte meus olhos,
para onde posso mirar
Vejo aqui as obscuras ruínas de minha vida,
Onde passei tantos anos, a arruinei e desperdicei."


Novas terras você não irá encontrar,
você não encontrará outros mares.
A cidade irá seguir você.
Vagarás pelas mesmas ruas.
E nos mesmos bairros te farás idoso,
nessas mesmas casas envelhecerá.
Sempre você chegará nessa cidade.
Para outra cidade - não espere -
não há barco, não há caminho.
Assim como você arruinou sua vida aqui
nesse pequeno lugar,
no mundo inteiro está destruída.


Tô precisando me ausentar do computador por alguns dias...

13 de Julho - Dia Internacional do Rock


14/07/09

Em homenagem ao Dia Internacional do Rock, uma dica de leitura - "Segredos e Lendas do ROCK" de Sérgio Pereira Couto. Um livro descolado e cheio de boas informações.
Segundo o autor, estranhas coincidências aconteceram:

"Entre os grandes nomes do rock que predominaram no final dos anos 1960, três destacaram-se pela similaridade de suas carreiras e pelo fato de que morreram com a mesma idade. O guitarrista Jimi Hendrix, a cantora de blues Janis Joplin e o poeta cantor Jim Morrison. Todos tiveram carreiras meteóricas, gravaram um número limitado de discos, foram adorados ao extremo e tiveram mortes súbitas aos 27 anos. Apenas esses elementos já seriam suficientes para aparecer uma série de histórias que fariam com que os conspirólogos encontrassem um campo amplo para a propagação de suas teorias, como a de que os três teriam sido assassinados pela CIA, já que esta temia o poder que tinham sobre a audiência jovem do país no período em que o Verão do Amor, os hippies e a Guerra do Vietnã dominavam os noticiários..."

Não dá pra colocar o livro inteiro, quem quiser saber mais, procure-o nas livrarias mais próximas de sua casa... rs

O POVO CONTRA LARRY FLYNT


13/07/09


... Mais um filme pra coleção - "O Povo Contra Larry Flynt" !! A direção é de Milos Forman e foi realizado em 1996.
Larry Flynt, um empreendedor da indústria do sexo, no final dos anos 70 toma conta de um pequeno negócio de clubes de strip-tease em Ohio, iniciando um verdadeiro império com a publicação da revista "Hustler", com a sua linguagem crua, exibindo mulheres nuas em posições imaginadas apenas em revistas de sexo explícito, desafiando os limites da tolerância americana. Enquanto Hugh Hefner trazia na revista "Playboy" mulheres nuas mais "recatadas", Flynt as exibia com toda ousadia possível.
Suas atitudes provocativas levantaram a ira dos conservadores nos campos religioso e político. Ficando famosa a sua briga nos tribunais quando enfrentou o reverendo Jerry Falwell até as últimas conseqüências na Suprema Corte, onde foi invocada a primeira emenda constitucional americana:

"O congresso não deve fazer leis a respeito de estabelecer uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações por ofensas."

Flynt venceu o duelo pois, segundo estes princípios, não se pode diminuir a liberdade de expressão e ele continuou afrontando os puritanos.
O filme é composto de um casal de personagens trágicos - Larry Flynt (Woody Harrelson) e sua amante (Courtney Love). Ele fica paraplégico ao ser baleado por um fanático e sua mulher, num processo auto-destrutivo, vem a falecer de overdose.

Um filme que conta a história da América feita de amor e perda, redenção e desespero, loucura e sanidade.

PRIVILEGE - A MANIPULAÇÃO DE UM ÍDOLO


12/07/09

"Privilege" é um dos filmes mais revolucionários já feitos na Inglaterra.
Em 1967, o diretor Peter Watkins produziu este clássico que trata da idolatria ao astro pop semelhante a uma postura messiânica, onde o ídolo causa uma espécie de transe na platéia.
Paul Jones interpreta um cantor pop carismático que, como numa imagem bíblica transforma-se quase num "Messias", alucinando os seus seguidores, ao ponto de levá-los à loucura. O filme tem aspectos políticos, e também, uma certa analogia com o culto da adoração, como numa igreja onde o astro seria um "Cristo Pop".
Uma crítica social ao fanatismo e à manipulação feita pela comunicação moderna.

Cena do filme:

Diane Di Prima - Uma Garota na Geração Beat


11/07/09


E quem pensa que a Geração Beat era um "Clube do Bolinha", está enganado... havia algumas escritoras, mas poucas fizeram sucesso como Diane Di Prima.
Diane estudou Física na Universidade Swarthmore e depois foi morar no bairro boêmio Greenwich Village. Foi ali que passou a envolver-se com o Movimento Beat e publicou seu primeiro livro – "This Kind Of Bird Flies Backward".
Seus trabalhos refletem as lutas políticas e sociais dos protestos da juventude da década de 1960 e posteriores. Seus últimos textos falam de filosofia, arquétipos femininos e alquimia.

Da famosa série "Pesadelos", extrai o seguinte poema:

Pesadelo 10

"Eu vi com meus olhos,
eu li nos seus nojentos jornais:
"Estação aberta para pessoas de mais de 21 anos
de calças blue jeans
ou sapatos de tênis,
homens com batom,
mulheres de cabelos curtos,
atores desempregados,
poetas de todas as condições.
Gratificação por pessoa 10 dólares.
Viciados em drogas
e músicos de jazz
cinco dólares extra."

"Você pode dizer que estou louca
mas isto não quer dizer que esteja maluca.
Pergunte a qualquer chofer de táxi."

William Burroughs - O Dândi da Geração Beat


10/07/09


William S. Burroughs, escritor beat, de origem aristocrática, descendente direto da família que criou as famosas máquinas calculadoras - Burroughs. Ficou conhecido pela sua dualidade, pois tendo graduado-se em Harvard, optou pela marginalidade e o submundo das drogas.
Sua obra é permeada pelos mais variados temas: burocracia estatal, drogas e outros vícios, homossexualidade, guerra, tirania psiquiátrica, etc.
Seus livros mais conhecidos são: "Drogado" (Junky) e "Almoço Nu" (The Naked Lunch).

Alguns trechos do livro "Junky":

"... No México, porém, sabia que mesmo os melhores ladrões passavam a maior parte da vida na gaiola. Os ladrões notórios podem ser jogados na colônia penal de Três Marias sem julgamento. Não existe o ladrão de classe média, de aparência burocrática e bom nível de vida, como nos Estados Unidos. Só dá grandes golpistas, com ligações políticas, ou vagabundos que apodrecem nas prisões. Os grandes golpistas são, em geral, chefes de polícia ou autoridades bem posicionadas."

" Advogado criminalista é uma das poucas profissões em que o cliente compra a boa estrela do outro. A boa sorte da maioria das pessoas é intransferível. Porém, um bom advogado criminalista pode vender toda a sua sorte pro cliente - e, quanto mais sorte ele vende, mais lhe sobra pra vender."

Woodstock - 40 Anos


08/07/09

Comprei o filme "Woodstock" e estou me deliciando com as músicas contagiantes e o clima de paz e amor.
Em agosto de 1969 mais de 500 mil pessoas se reuniram em uma pequena fazenda, nos arredores de Nova York, em três dias de muito rock n' roll para celebrar o maior festival de música do planeta !
No ano seguinte, o mundo pôde assistir ao primeiro e único filme sobre esse encontro mágico, grande vencedor do Oscar de Melhor Documentário da época.
Este ano foi marcado também pelo brutal assassinato de dois grandes líderes americanos: Martin Luther King e Robert Kennedy. E os EUA estavam em guerra com o Vietnã. Os jovens daquela época queriam apenas fazer amor e não guerra.
Neste festival há a participação de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Joan Baez, Santana e The Who, entre muitos outros...


Se puderem, assistam !

Bukowski - O Velho Safado


07/07/09

Vadio, alcoólatra, mulherengo, imprevisível, Charles Bukowski transformou todos os seus pecados, angústias e trapaças em matéria-prima de clássicos como "Cartas na Rua", "Factotum" e "Mulheres". Apesar de ter nascido na Alemanha, cresceu e viveu em Los Angeles. Começou a escrever com vinte e poucos anos, publicou seus primeiros poemas aos trinta e cinco anos e tem mais de trinta livros de poesia e prosa publicados. Foi funcionário dos Correios em L.A. durante 14 anos, demitiu-se antes de enlouquecer. É considerado por muitos como o "discípulo de Henry Miller".

Um trecho de "Mulheres":

"... Se eu tivesse nascido mulher seria com certeza uma prostituta. Mas, como nasci homem, batalhava as mulheres, sem trégua; quanto mais fuleiras melhor. E, no entanto, as mulheres, as boas, me enchiam de medo, talvez por quererem a minha alma; e o que sobrara da minha eu queria manter guardado. Em princípio, eu batalhava mulheres fuleiras e prostitutas, porque eram mais intensas e a barra mais pesada, e elas não faziam exigências pessoais. Nada se perdia quando elas partiam. Porém, ao mesmo tempo, eu tinha uma inclinação por mulheres decentes, as boas mulheres, a despeito do preço elevado que se tinha de pagar. De um jeito ou do outro, eu estava perdido. Um cara forte desistiria de ambas. Eu não era um cara forte. Então, continuava o combate com as mulheres, com a idéia de mulher."

Gregory Corso - O Poeta Incendiário


06/07/09

Gregory Corso, poeta beat, nasceu em Greenwich Village - Nova York. Junto com Kerouac, Ginsberg e Burroughs, formou o eixo central do Movimento Beat. Filho de uma família de origem pobre, passou a infância em orfanatos e reformatórios. Mais tarde, foi adotado por várias famílias alternadamente.
Em 1958, Kerouac escreveu: "Considero Gregory Corso e Allen Ginsberg os dois melhores poetas da América..."

"De Visita Ao Lugar De Nascimento"

De pé na luz fraca da rua escura
Olho para minha janela no alto, foi lá que nasci.
As luzes estão acesas;outras pessoas se movimentam ali
Vestido com capa de chuva, cigarro na boca
Chapéu caído nos olhos, a mão na arma,
Atravesso a rua e entro no prédio
As latas de lixo não pararam de cheirar mal.
Subo o primeiro lance de escadas:
Lóbulos sujos me ameaçam com sua faca...
Eu lhe despejo uma torrente de relógios esquecidos.

Neal Cassady - O Herói de "On The Road"


05/07/09

Neal Cassady é o herói Dean Moriarty, de Kerouac em "On The Road". Sem dúvida, o beat mais genuíno de todos os tempos.
Escreveu "O Primeiro Terço", onde narra as desventuras de um garoto desamparado, criado entre vagabundos, às voltas com reformatórios e pequenos furtos. Quanto ao resto de sua vida, morreu de overdose e apenas este manuscrito foi encontrado em gavetas esquecidas em 1969 e depois publicado pela "City Lights" em 1971.

Trecho de "O Primeiro Terço":

"Durante certo tempo ocupei uma posição única: entre as centenas de criaturas solitárias que assombravam a parte baixa do centro de Denver, não havia nenhuma tão jovem quanto eu. Dentre aqueles homens sombrios que haviam se dedicado, cada um por sua própria e boa razão, à tarefa de terminar seus dias como bêbados sem vintém, eu sozinho, ao compartilhar de seus modos de vida, lhes apresentava uma réplica da infância para a qual eles podiam, diariamente, voltar um olhar desamparado e, ao ser assim transplantado para o meio deles, tornei-me o filho desnaturado de algumas dezenas de homens derrotados."

Jack Kerouac - On The Road


04/07/09


Jack Kerouac, principal escritor da geração beat, trabalhou em tudo: ajudante de cozinha, jornalista esportivo, apanhador de algodão, vigia de incêndios florestais, limpador de convés, ajudante de mudanças, maquinista nas linhas férreas, aprendiz de laminador, etc. Aos 17 anos resolveu ser escritor e no ano seguinte decidiu ser um viajante solitário ao ler a vida de Jack London. Escrevia tanto em casa, quanto na estrada, como vagabundo, ferroviário, exilado mexicano ou viajante pela Europa. Descobriu a prosa espontânea e escreveu "On the Road" em três semanas.

Não se dizia beat, mas um estranho e solitário católico, louco e místico.

Trecho de "On The Road":
"... repetindo esse refrão e misturando outras frases no meio, falando sobre o quão longe ele estivera, e como gostaria de voltar para ela, mas a tinha perdido para sempre. Eu disse: - Gene, que canção maravilhosa.
- É a mais linda que conheço, ele respondeu com um sorriso.
- Espero que você chegue onde pretende e seja feliz lá.
- De um jeito ou de outro, sempre acabo me dando bem."

Galeria do Rock


03/07/09


Um dia dedicado ao rock - comprinhas exóticas na Galeria com ótimas companhias ao som de Rockabilly e fervendo a São João ! rs

Trilha-Sonora: Elvis ! - The King Of Rock

E por falar em "reis", fica a dica dos "Elvis" de alguns países:

Alemanha: Udo Jürgens
Argentina: Palito Ortega
Brasil: Roberto Carlos
Espanha: Raphael
França: Johnny Hallyday
Inglaterra: Cliff Richard
Itália: Bobby Solo
Japão: Kyu Sakamoto

Gary Snyder - O Ativista Ambiental


02/07/09

Gary Snyder, poeta beat, ficou conhecido ao ser retratado como o personagem Japhy Ryder no livro "Dharma Bums" (Vagabundos Iluminados) de Jack Kerouac. Foi vencedor do prêmio Pulitzer em poesia.
Um trecho de uma entrevista feita com ele pelo Estadão em 31 de Maio de 2009:

Você foi membro do Conselho de Artes da Califórnia. Qual é sua opinião sobre políticas públicas governamentais para a literatura e as artes em geral?

Não tenho dificuldade nenhuma em ver as artes enquanto negócio, em ver um artista que pode ocupar seu lugar no mercado de arte e ver quão bem ele se sai. Isso se dá especialmente no caso do romance. Mas há outras artes que, por várias razões, não podem competir no mercado, e outras que não têm absolutamente entrada no mercado, como a poesia. É simpático apoiar a poesia com fundos mas você não precisa do governo para isso, para fazer uma pequena publicação. A poesia é sempre uma arte marginal, é uma arte de comunidade. Não é uma carreira: é uma vocação. Você é levado a ela, é um dom. Você não deve se preocupar se está fazendo dinheiro ou não com poesia. O que você precisa fazer é trabalhar com a sua comunidade. É uma coisa cultural. As culturas tradicionais não precisam de dinheiro do governo, precisam é de apoio da comunidade, isso sim. Sim, as artes precisam de apoio da comunidade, mas não quero falar sobre dinheiro governamental. Pra dizer a verdade, o governo norte-americano ferrou com a arte neste país.

Um de seus poemas:

Apenas uma vez

quase no Equador
quase no equinócio
exatamente à meia-noite
a partir de um navio

lua cheia

no centro do céu.

Gary Snyder
Sappa Creek
Março de 1958

Perdidos na Noite - Em Busca de Um Sonho


01/07/09


Começarei o mês citando mais um filme da minha coleção underground. "Perdidos na Noite" (Midnight Cowboy - 1969) retrata a história de um simplório cowboy texano (interpretado por Jon Voight) que vai para Nova York tentar a sorte se prostituindo com mulheres da alta sociedade. Chegando à cidade, ele conhece Ratso Rizzo (papel de Dustin Hoffman), um marginal que lhe mostra o lado real das ruas nova-iorquinas. Nasce assim uma intensa amizade entre os dois, onde o humor e a tristeza se misturam com muita sensibilidade.
A direção segura e realista de John Schlesinger dá ao filme uma atmosfera apaixonada que revela a verdadeira face da metrópole. Pelo seu perfeccionismo e capacidade de envolver o espectador até o último segundo do filme, Schlesinger recebeu o "Oscar de Melhor Diretor". O filme também ganhou o "Oscar" nas categorias: Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.
O sucesso de Midnight Cowboy baseia-se na estranha relação que une dois jovens desesperados em NY, num ambiente de sordidez povoado por homossexuais, prostitutas e vigaristas. Juntos, os dois enfrentam a fossa nas ruas de Manhattan, cada um apoiando-se nas fraquezas do outro. E ao fim de tantas desventuras, o cowboy arrasta o amigo para um ônibus com destino a Miami, mas o sol não nasce para todos e Joe (cowboy) aprendeu esta lição enquanto tentavam mudar seus destinos...
A trilha-sonora é encantadora, destaque para a música-tema "Everybody’s Talking", na voz de Harry Nilsson.

Alan Watts - O Guru da Contracultura


30/06/09


Alan Watts tornou-se famoso como uma espécie de guru da contracultura dos anos 60.
Através de seus livros e conferências em quase todo o mundo, ele foi um dos pioneiros na introdução e divulgação da sabedoria oriental junto ao Ocidente.
Desempenhou um papel crucial nos movimentos alternativos que levaram à formação do conjunto de saberes que hoje se abrigam sob a denominação de "Nova Era".
Alan Watts é considerado, para além de qualquer classificação filosófica ou religiosa, um pensador essencial à compreensão do alcance que o zen-budismo e a filosofia chinesa e indiana podem e devem ter na existência de cada um.

Em seu livro "A Sabedoria da Insegurança" há um trecho que diz:

"Nós somos como moscas presas no mel. Como a vida é doce, não queremos abrir mão dela, e quanto mais nos deixamos envolver por ela, mais presos, limitados e frustrados nos sentimos. Nós a amamos e odiamos ao mesmo tempo. Apaixonamo-nos por pessoas e bens apenas para sermos torturados pela ansiedade que nos causam. Esse conflito não se verifica somente entre nós e o universo que nos envolve e sim entre nós mesmos, pois a natureza intratável está tanto à nossa volta como em nosso próprio íntimo. Essa "vida" exasperante, que é adorável e perecível, agradável e dolorosa, uma benção e uma maldição, é também a vida de nossos próprios corpos."

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ferlinghetti - Subversivo, Anarquista e Profético


29/06/09


Lawrence Ferlinghetti é o poeta que fundou uma livraria e editou grande parte dos mais importantes textos beats. Sua poesia criou uma ligação entre beats e surrealistas. Entrou na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial e depois foi para Paris estudar pintura na Academia de Belas Artes. Em 1951, se estabeleceu na Califórnia. No mesmo ano, criou a livraria City Lights, que em 1955 se transformaria em editora, lançando Howl, de Allen Ginsberg. Em 1975, reconhecida por seu trabalho intenso e inovador, a prefeitura de São Francisco estabeleceu em seu calendário cultural um dia em homenagem ao poeta, o Lawrence Ferlinghetti's Day. Sua poesia é acessível a todos os tipos de público, pois trata de temas políticos e da vida interior de cada um de nós.
Por trás da irresistível espontaneidade, existe um pensamento sério e erudito.
Segundo ele mesmo, sua motivação está em ser "um agente provocador – subversivo, anarquista e profético."


Recipe For Happiness In Khabarovski or Anyplace

One grand boulevard with trees
with one grand café in sun
with strong black coffee in very small cups

One not necessarily very beautiful
Man or woman who loves you

One fine day


Receita para a felicidade em Khabarovski ou em qualquer parte

Um grandioso bulevar com árvores
um Café grandioso ao sol
com café preto e forte em xícaras minúsculas

Alguém não necessariamente muito lindo,
homem ou mulher, que te ama

Um belo dia

Carl Solomon - O Poeta do Bronx


28/06/09


Carl Solomon, poeta da geração beat, nascido numa família judia descendente de imigrantes. Aos 17 anos entrou na Marinha, em plena Segunda Guerra Mundial. Morou na França, ingressou no Partido Comunista e foi influenciado pelos seguintes escritores: Genet, Artaud e Mallarmé. Sua carreira foi tumultuada por várias internações psiquiátricas e um casamento fracassado. Na década de 1950 Solomon envolveu-se com os autores da geração beat: Kerouac, Ginsberg ...
Publicou alguns livros, sendo os mais conhecidos: "Mishaps", "Perhaps" em 1966 e "More Mishaps" em 1968.

Um poeta assumidamente homossexual e que escandalizou com seus poemas autobiográficos o puritanismo da classe média americana.
"Para Não Perder A Capacidade de se Maravilhar"

Para não perder a capacidade de se maravilhar.
Vá à praia e contemple as areias infinitas.
Vá à biblioteca, consulte os catálogos
e contemple a magnífica variedade de livros e periódicos.
Vá aos jardins e olhe fixamente para as palmeiras.
Vá ao aquário e olhe os peixes.
Vá trabalhar e contemple a natureza infinita de seu trabalho.
Vá a um cemitério e contemple velhas lápides.
Você não me engana,
Você nunca perdeu a capacidade de se maravilhar,
Embora talvez eu a tivesse perdido
E acabo de recuperá-la graças a você.

Pergunte ao Pó - A obra-prima de John Fante


27/06/09


Hoje vou falar sobre um dos meus livros favoritos - "Pergunte ao Pó" (Ask The Dust) de John Fante, lançado em 1939. Portanto, está comemorando 70 anos de publicação.
O livro relata a história do escritor Arturo Bandini, que havia publicado apenas um conto - "O Cachorrinho Riu", e sem dinheiro, hospedou-se num hotel onde permaneceu alguns meses para escrever uma grande obra. Neste período conhece a mexicana Camila López, uma garçonete por quem se apaixona. O filme mostra uma Los Angeles bucólica na década de 1930, com Colin Farrell e Salma Hayek nos papéis de protagonistas, direção de Robert Towne e produzido em 2006.

Um trecho do livro em que Bandini faz uma reflexão sobre sua condição de escritor:

"...Você tem dez anos para escrever um livro, vai com calma, sai por aí e aprenda sobre a vida, ande pelas ruas. Esse é o teu problema: ignorância da vida. Pomba, meu Deus, cara, você já sacou que você nunca teve uma experiência com uma mulher ? Ah, sim, eu tive, ah, eu tive várias. Ah, não, você não teve. Você precisa de uma mulher, você precisa de um banho, você precisa de um empurrão legal, você precisa de dinheiro..."

Trailer do filme:

Michael Jackson - Um Artista Sem Limites


26/06/09


Ontem, dia 25/06 recebi a notícia de que o "Rei do Pop" falecera. Fiquei inconformada. Havia boatos de que ele viria ao Brasil apresentar-se num show para uma legião de fãs e havia a possibilidade de que eu fosse assisti-lo mesmo que de longe, mas compartilharia um momento com ele. E, infelizmente este desejo não será realizado...

Michael Jackson - Um artista que esteve sempre no limite.

Desde criança, seu pai exigia muita disciplina para que ele se tornasse um grande artista. Fez sucesso com seus irmãos e depois, na carreira solo. Foi um gênio na criação de videoclipes, como "Thriller". Recebeu certificados pelo Guinness World Records - um deles para Thriller como o álbum mundialmente mais vendido de todos os tempos - dezenove Grammys em carreira solo e seis Grammys com The Jacksons e 41 canções a chegar ao topo das paradas como cantor solo - e vendas que superaram as 750 milhões de unidades mundialmente, alguns empresários da Sony já registram a incrível marca de mais de 1 bilhão. Casou-se duas vezes. Teve três filhos. Comprou "Neverland", esteve no Brasil e tocou com o "Olodum" na Bahia, foi expoente nas coreografias e em concertos como "We Are The World". Tinha uma enorme intuição para o sucesso. Viveu 50 anos e deixou sua marca como um dos maiores cantores pop do século XX.

Sem Destino - Pé na Estrada


25/06/09

Sou fascinada pelo gênero "road movies"... tudo começou quando assisti "Easy Rider" (Sem Destino) – repleto de estradas, Harley Davidson e bom rock n’ roll.Tenho este filme e já perdi a conta de quantas vezes assisti... rs


Um dos filmes mais importantes da década. (Revista Time).


Sem Destino reflete as atitudes e o comportamento de toda uma geração, na emocionante história de dois motociclistas (Dennis Hopper e Peter Fonda) e sua odisséia em busca da América verdadeira. Pelo caminho, os dois passam por grandes e pequenas cidades, conhecem uma comunidade hippie, são presos e dão carona a um advogado bêbado (Jack Nicholson no papel que o levou ao estrelato). Acelerado por uma trilha-sonora genial, do mais autêntico rock, Sem Destino é uma viagem sem censura pela contracultura, numa mistura de sexo, drogas e a procura pelo verdadeiro sentido da vida.


"Eles saíram a procura da América e não conseguiram encontrá-la em lugar algum".


Andy é Pop !


24/06/09

Em 6 de Agosto de 1928 nascia Andrew Warhola, mais tarde conhecido como “Andy Warhol” – O pai da Pop Art. Dentre suas inúmeras atividades destacam-se: pintura, design, cinema, jornalismo, produtor musical, enfim, um homem multimídia. (Faleceu no dia 22 de Fevereiro de 1987 em Nova York).
Sou fã do Andy – desde sua personalidade excêntrica à sua arte revolucionária. Começou como ilustrador de revistas famosas como: Harper's Bazaar, The New Yorker e Vogue. Reinventou a Pop Art com suas serigrafias das famosas sopas Campbell e a marca Coca-Cola, além dos retratos de personalidades, dentre elas: Marilyn Monroe, Liz Taylor, Elvis Presley e Che Guevara. Também deu cara nova à Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Foi pioneiro na utilização de materiais descartáveis em obras de arte e também utilizou a técnica da colagem e tintas acrílicas. Era uma figura que agitava as noites de Nova York em seu "Studio 54" que reunia as celebridades, intelectuais e artistas da época; registrava esses eventos na revista "Interview".
Ele gostava de criar modismos e como cineasta lançou "Andy Warhol’s Frankenstein" in Space- Vision 3-D (lançado no Brasil como "Frankestein de Andy Warhol – 3-D") , a novidade eram os óculos de terceira dimensão que dava mais realismo ao filme.
Andy foi mentor intelectual e financiador da banda "Velvet Underground", de onde saiu Lou Reed. O primeiro álbum da banda "The Velvet Underground and Nico" notabilizou-se por uma banana na capa (feita por Andy) e também pelas composições que tratavam de temas polêmicos como drogas, sadomasoquismo, prostituição e ocultismo.
São muitas histórias registradas em biografias dedicadas à Warhol...

Enfim, um personagem com múltiplas facetas que destacava-se por ostentar uma peruca loira e espetada e por uma frase:


"In the future everyone will be famous for fifteen minutes."
"No futuro, todos serão famosos por quinze minutos."

Allen Ginsberg - O Papa da Geração Beat


23/06/09


Poesia também faz bem aos ouvidos... despertei para esta terça ao som de "Allen Ginsberg - Holy Soul Jelly Roll - Poems and Songs 1949-1993".
São 4 volumes na voz do próprio Allen Ginsberg recitando o que há de melhor no estilo "on the road".

Vol. 1 : Moloch !
Vol. 2: Caw ! Caw !
Vol. 3: AH !
Vol. 4: Ashes & Blues


"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa..."

(Allen Ginsberg - UIVO)

Divã


22/06/09


Não é por acaso que, deitada neste sofá, me veio a idéia de comentar sobre um filme que assisti recentemente – "Divã".

"Divã" foi baseado num livro e uma peça de sucesso e conta a história de Mercedes, uma mulher de 40 anos que vive às voltas com as alegrias e desafios da sociedade contemporânea. Casada e mãe de dois filhos, ela decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. E, assim, o que antes era apenas uma curiosidade, se transforma em uma experiência devastadora, que provoca uma série de mudanças em sua vida cotidiana.


Trailer do Filme:

Maquiavel é Atual !


21/06/09


Com esse friozinho de domingo, a vontade de ficar embaixo das cobertas tomando um chocolate quente e ... lendo, meus amigos ! rs
Nada melhor do que uma boa leitura ! Tou com "O Príncipe" aqui em casa e separei uns trechos que me chamaram a atenção:

"Os homens andam, quase sempre, por caminhos já trilhados por outros e agem por imitação. Mas não podem seguir em tudo aquele que tomam por modelo, nem às suas qualidades acrescentar algo; devem, entretanto, os homens prudentes seguir as pegadas dos varões insignes e imitá-los, e, embora não cheguem a igualá-los, que procurem, ao menos, aproximar-se deles. E fazer como os arqueiros habilidosos que, querendo atingir um alvo muito distante e conhecendo o alcance do seu arco, colocam a mira bem mais alto que o ponto a ser atingido, não para que a seta vá acima dele, mas para acertar o alvo. "

"São quatro as maneiras de se conquistar um principado e a elas correspondem outras tantas para conservá-los e perdê-los. Conquista-se pela virtu (virtude), pela fortuna (sorte), pela perversidade e pelo consentimento dos próprios cidadãos. Para Maquiavel, virtude não significa qualidade moral e, sim, força e ação. Afirmava ele que muitos homens julgam que as coisas do mundo são governadas pela sorte e por Deus, de maneira que a vontade humana não pode mudar esses desígnios e nem dar-lhes remédio. Aceita esse fato em parte, pois que o homem pela inteligência, tem condições de mudar muita coisa e dar remédio a muitos males. Os que conquistam o poder pelas virtudes próprias e com as próprias armas, lutam mais para adquirir um principado, mas quando o conseguem terão mais facilidades em conservá-lo. Fora isto, deve o príncipe amedrontar, intimidar, constranger os vencidos para que eles silenciem, pois se se organizarem, formando oposição, tornam-se bem mais violentos que os que aderiram ao vencedor por comodidade, conveniência e interesse."

• Nicolau Maquiavel (1469-1527) é um dos pensadores mais discutidos de todos os tempos e suas idéias tem sofrido as maiores distorções. Do seu nome derivam o substantivo "maquiavelismo" e o adjetivo "maquiavélico", que se tornaram palavras correntes do vocabulário universal e passaram a valer como sentença definitiva no que tange ao seu vulgar sentido. O seu livro "O Príncipe" tem sido citado sem maior exame e as palavras "maquiavélico" e "maquiavelismo" usadas por uma multidão, cuja grande maioria jamais leu a referida obra.

Para aqueles que gostam de filosofia e política - uma boa dica !

Mapplethorpe - O Fotógrafo do Fetichismo


20/06/09


Robert Mapplethorpe foi uma das personalidades mais famosas e controvertidas do mundo da arte contemporânea. Algumas de suas fotografias foram elogiadas pela beleza surpreendente de suas composições, outras foram condenadas por sua sexualidade explícita. O próprio Mapplethorpe foi um enigma artístico.


Patricia Morrisroe fez uma biografia sobre o polêmico fotógrafo do cenário sadomasoquista gay falando desde sua infância, a educação católica que recebeu dos pais, os tempos de cadete militar, hippie, celebridade artística, sua ascensão no mundo da arte internacional, sua obsessão com o submundo sexual de Nova York e sua desesperada luta contra a AIDS que acabou por matá-lo em 1989.
Lembro-me muito bem a primeira vez que li esta biografia e o impacto que me causou. Fiquei tão encantada com sua obra e curiosa em conhecê-la de perto ... eis que surgiu a oportunidade quando "Mapplethorpe - Exposição de Nus e Flores" chegou à Sampa. Tomei coragem e tirei umas fotos na Galeria Fortes Vilaça para mostrar a vocês.

Noite de Autógrafos


19/06/09


... Dia 18 rolou a noite de autógrafos do livro do amigo Guedes na Galeria b_arco (Brasil Artecontemporânea).
"O Livro Vermelho dos Vampiros" (Devir Editora e Jacaranda) traz contos de 13 autores brasileiros injetando sangue novo no vampiro."


Ao mundo voltarás como vampiro,
Cadáver a vagar por entre os vivos:
Assombra tua terra e tua casa,
Suga o sangue de toda a tua raça;


De filha, irmã e esposa querida,
Vai esgotar a corrente da vida...
Mancha de teu próprio sangue, ávido,
Teus dentes cruéis, teu pálido lábio;


Retorna então ao túmulo infecto,
Urra entre demônios e espectros,
Inspira tal horror que até aqueles
Fujam de um mais maldito que eles !"


Lord Byron, The Giaour (1813)
Tradução: Alfonso de Macedo

James Dean - Forever Young


18/06/09

Quem me conhece sabe do meu caso antigo com o “Jimmy”, aquele ator famoso de Hollywood que em tão pouco tempo transformou-se num dos maiores ícones da cultura pop americana ...

Quando vejo algo sobre ele, é quase impossível resistir ! Tamanha a química ! E para minha alegria deparei-me com um box chamado "James Dean – Rarities" esses dias e transformou-se numa das minhas preciosas aquisições. São 4 filmes em inglês do início da carreira de Dean, quando ele ainda não havia estrelado "Rebel Without a Cause" (Juventude Transviada) ou então "East of Eden" (Vidas Amargas) muito menos "Giant" (Assim Caminha a Humanidade) – seus trabalhos que tornaram-se clássicos.

O box é composto de aparições na TV e algumas participações em comerciais, seriados e na Broadway em "See the Jaguar" e "The Immoralist" . Esta coleção especial é importada e infelizmente não há exemplares por aqui, pois adquiri com um colecionador.

Pra quem ainda não foi apresentado a ele, assistam "Juventude Transviada" - fica a dica para curtir a quinta-feira no bom estilo 50’s!


• As imagens acima são as capas dos DVDs:


"The James Dean – Story" (Um estudo sobre o ator e o homem. Um olhar sobre a vida de James Dean. Cenas raras de seus filmes e entrevistas com amigos e outros atores. Descrevendo como desenvolveu seu talento e porque o mito permanece até os dias atuais.)


"Harvest" (Filme feito para uma série de TV onde James Dean estréia interpretando um jovem de uma família rural que sobrevive após uma tempestade que anulou toda a sua plantação.)


"The Bells Of Cockaigne" (Dean é um jovem lutando para tirar sua esposa e o filho doente da vida miserável que levavam e modificar assim, sua sorte.)


"Hill Number One" (Neste filme feito para a televisão, James Dean interpreta São João Baptista no clássico “A Paixão de Cristo” com destaque para a ressurreição.)

Milk - A Voz da Igualdade


17/06/09

Aproveitando a semana de conscientização gay, sugiro um excelente filme que aborda o assunto da militância de maneira realista e comovente. Este filme de Gus Van Sant, com Sean Penn no papel de Harvey Milk, um ativista gay que foi o primeiro a se eleger no serviço público americano, recebeu 8 indicações ao Oscar e venceu em 2 categorias – Melhor Roteiro Original e Melhor Ator.

"Milk foi incluído nos "100 Heróis e Ícones do Século XX" da Revista Time como "um símbolo do que os gays podem realizar e os perigos que enfrentam ao fazê-lo". Apesar dos seus truques grotescos e públicos, "ninguém compreendia como o seu papel público poderia afetar vidas privadas melhor do que Milk ... [ele] sabia que a causa raiz do problema era a invisibilidade gay".A revista The Advocate listou Milk em terceiro na sua edição sobre os "40 heróis do Século XX", citando Dianne Feinstein: "Sua homossexualidade lhe deu uma visão sobre as cicatrizes que todas as pessoas oprimidas carregam. Ele acreditava que nenhum sacrifício era um preço demasiado grande a pagar para a causa dos direitos humanos". Harry Britt resumiu o impacto de Milk na noite em que foi baleado em 1978: "Não importa o que o mundo nos ensinou sobre nós, nós podemos ser belos e nós podemos conseguir nossas coisas juntos ... Harvey foi um profeta ... ele viveu por uma visão ... Algo muito especial vai acontecer nesta cidade e terá o nome de Harvey Milk nela."

Fonte: Wikipedia

Trailer do filme: .

Se Joga !


16/06/09


Domingo teve a 13ª edição da Parada Gay de São Paulo. A festa estava como sempre muito alegre, colorida e surpreendente - cerca de 3,5 milhões de participantes ! Desta vez, com menos trios e mais engajamento político, abordou temas como: defesa do ambiente e da igualdade racial, além da promoção de igrejas e sindicatos. O foco estava realmente na campanha "Não Homofobia" que recolhia assinaturas para o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.
O projeto torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero - equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa. Ele aborda as mais variadas manifestações que podem constituir homofobia; para cada modo de discriminação há uma pena específica, que atinge no máximo 5 anos de reclusão. Para os casos de discriminação no interior de estabelecimentos comerciais, os proprietários estão sujeitos à reclusão e suspensão do funcionamento do local em um período de até três meses. Também será considerado crime proibir a livre expressão e manifestação de afetividade de cidadãos homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais.

Valendo-se da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário: "Artigo 7°: Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação"; e dos preceitos da nossa Constituição Federal: "Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação [...] / Art. 5º "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza"; vamos contribuir para tornar a sociedade mais justa e igualitária.