

... Da minha coleção de filmes, um dos que mais me marcaram foi "Cada Um Vive Como Quer" (Five Easy Pieces), com meu ator favorito - Jack Nicholson, em um de seus melhores papéis.
O filme descreve o jovem trabalhador Robert Eroica Dupea em um campo de petróleo, inadaptado tanto como operário quanto na sua família. O seu desespero diante dos compromissos, sua rebeldia frente às raízes familiares, seu amor pelo nomadismo e a instabilidade.
A cena em que o personagem leva o pai doente numa cadeira de rodas para um passeio e inicia um monólogo é a mais comovente do filme:
"Robert : - Está com frio ? Eu não sei se você estaria interessado em ouvir qualquer coisa sobre minha vida. A maior parte dela não acrescenta muito a um estilo de vida que você aprovaria. Eu viajo muito... não porque esteja procurando algo, mas porque fujo de coisas que dão errado. Sei que seria bom se eu ficasse ... entende o que eu digo ? Estou tentando imaginar sua parte nesta conversa, mas sinto que se pudéssemos conversar não haveria diálogo. Bem do jeito que era quando fui embora. Você está bem ? Eu não sei o que dizer. Minha irmã sugeriu que nós tentássemos ... Eu não sei. Acho que ela sente ... ela sente que temos que nos entender. Ela nega o fato de que nunca ficamos a vontade um com o outro. O melhor que posso fazer é me desculpar. Nós dois sabemos que eu nunca fui bom nisso. Sinto muito que isso não tenha dado certo."
Henry Miller em seu livro "Deslizando para os Everglades e Outros Ensaios", traz uma crônica – "Vendo Jack Nicholson pela Primeira Vez" e assim descreve este momento:
"Há em Five Easy Pieces uma cena e um personagem que eu deixei de mencionar. Acredito que para a maioria das pessoas este vai ser o grande momento de Jack. A cena em questão é a de quando ele dá uma volta perto da casa de seu pai para tomar ar e casualmente tirar um peso do peito. Suponho que com isso se pretendia mostrar que Jack não era completamente desprovido de sentimento. Todavia, eu sempre o considerei um filho da puta insensível, mas um filho da puta adorável. É uma grande diferença. A verdade é que ele é tão adorável porque se comporta da maneira como todos nós gostaríamos de comportar-nos, representa nossas fantasias. A nós faltam a coragem e o encanto para imitá-lo."
Cena do filme:

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